Quem como eu, cresceu vendo de dois em dois meses a Globo passar o filme “A vingança dos nerds” (1984), sempre associou o termo nerd a uma espécie de ofensa, xingamento. Os demais filmes de adolescentes dessa época sempre reafirmaram essa idéia. Porém, na última década, sabesse lá por que, os nerds passaram a ser considerados cool. O auge veio com a série The Big Bang Theory. Hoje, pessoas falam com orgulho: “Eu sou nerd”. Compram camisetas, adquirem centenas de produtos. Filmes baseados em HQs tornaram-se blockbusters. O mundo é NERD meus caros, para desespero das fraternidades Gama, Delta, Pi, Lambda ou qualquer outra letra grega .
O que não passou desapercebido a este que vos escreve, é o fato de que os Nerds de hoje não são nem sombra dos esquisitões que os antecederam. Assistindo realitys como “The beauty and the geek”, notasse que um simples banho de loja torna um nerd em alguém “normal”. Porque esses nerds de hoje não passam de pessoas tímidas, que se vestem mal e consomem cultura “nerd-pop”em excesso, o que os torna público mais que atraente para as grandes corporações, mas que em sua essência não são diferentes daqueles que os trollam.
Mas, nesse meio tempo entre a Vingança dos nerds e The Big Bang Theory, conheci o trabalho de um cara que põe a forma NERD de ser em um outro status, elevando-a além do estereotipo acima. A primeira vez que vi algo de Wes Anderson foi um dia assistindo ao canal Cinemax (que um dia já teve boa programação) e me deparando com Rushmore (1998). Acho que este filme define todos os demais de Anderson: nos deparamos com um nerd que é autoconfiante, não quer provar nada pra ninguém, não cita referências, as cria. São sempre sujeitos esquisitos, mas criativos, complexos e metódicos. Isso sem falar nas trilhas sonoras sensacionais, sempre com um toque de gênio de Mark Mothersbaugh, que faz parceria com Anderson em quase todos seus filmes. Sempre com a mesma fórmula (poderia até dizer que quem viu um, viu todos. Mas isso, apesar de ser de certa forma verdade, parece diminuir a qualidade e originalidade do trabalho de Anderson, que destoa dos demais diretores de sua geração que abordaram o tema.) Vieram na sequência os filmes “Os excentricos Tenembaums”, “A vida marinha com Steve Zissou”, “Viagem a Darjeelig”, (sendo estes dois últimos os mais fracos) e agora chegando por aqui (embora já tenha visto pela net há meses) o excelente (ou como diria o porconauta, filme esquisito sugerido pelo Valter) Moonrise Kingdom. Portanto, se quiser ver um filme de nerd de verdade, procure conhecer Wes Anderson.
