“Lucius Fox Pagou Minha Casa Nova. Wolverine Só Algumas Cervejas”

Provavelmente esse é o título mais bizarro em quase um ano que trabalhamos nessa indústria vital em escrever bobagens.

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Ele é uma interpretação uatafókiana do que disse o veterano escritor de quadrinhos Len Wein sobre duas co-criações sua dos quadrinhos: Lucius Fox para DC e Wolverine para a Marvel.

Num painel para divulgar a mini-série para tv  “Superheroes”A Never-Ending Battle” no último encontro  “Television Critics Association” Wein, ao lado de Todd McFarlane e Gerry Conway, deu a seguinte declaração quando perguntado sobre as compensações recebidas pelas versões cinematográficas dos personagens criados por ele:

Quando eu trabalho para DC, qualquer coisa que eu crio eu tenho uma parte. Lucius Fox, por exemplo, que esteve na última trilogia do Batman interpretado por Morgan Freeman, “pagou”minha casa nova. Na Marvel, eu só recebi um cheque pelo último filme do Wolverine. Mas como condição, não recebi nada sobre o dinheiro ganho por eles na venda de brinquedos, sabão, shampoo, skates e “Deus lá sabe o quê “que eles queiram comercializar usando o nome do personagem”

Len Wein durante o pinel realizado no fim de semana
Len Wein durante o pinel realizado no fim de semana

A DC é tão boazinha assim que, um personagem coadjuvante dela rende mais dinheiro ao seus criadores do que o atual  personagem número um da Marvel quando ambos são levados para a telona? Wein é um ingrato, afinal recebeu pelo trabalho que a princípio era criar  um personagenzinho meia-boca para uma  história do Hulk, e elecalhou de se tornar um super-star quando começou a ser desenvolvido por outros autores?

Antes as coisas fossem tão simples assim! Esse debate criadores versus editora é uma briga antiga e nascida junto com surgimento dos quadrinhos de super-heróis, quando Jerry Siegel e Joe Shuster venderam os direitos sobre seu Superman para a DC por US130,00  que continua até hoje na batalha jurídica entre editora e herdeiros de Siegel & Shuster.

"O Cheque que comprou o Superman"
“O Cheque que comprou o Superman”

 

Umas das das explicações da diferença de valores ganho por Wein, pois a edição em que ele criou Fox (Batman 307, em janeiro de 1979) era sua volta a DC após ter se tornado um nome mais forte no mercado, o que pode lhe ter favorecido na hora de conseguir um melhor contrato. Já em  1974,  ano de criação do Wolverine, ele possa ter tido que “assinar um contrato em branco”com a Marvel e hoje só ter visto um trocados só por conta do filme,no original, se chamar The Wolverine. Só a palavra “origens”no título do primeiro filme solo do Carcaju já inviabilizaram que Wein recebesse uns trocos.

Acho que o autor não quis soar rancoroso com a Marvel, senti muito mais uma tom de resignação de alguém que está há anos labutando na indústria de os contratos entre artistas e editoras são um “puta-putero do caralho”, com os responsáveis pela criação levando vantagens algumas vezes e com as editoras na maioria das vezes  não pagando um puto à eles além do que os já recebidos na ocasião da publicação da história.

Não dá para ser muito romântico na análise, o objetivo principal das editoras  é lucrar, era assim na época da criação de Fox e Wolverine e só piorou com o passar dos anos, principalmente na DC hoje em dia ,onde o objetivo parece ser “Só”lucrar e  fodam-se os artistas! Eles só tem que cumprir o prazo e não bater de frente com o editorial, os incomodados que se retirem! E isso explica a debandada de talentos deixando a editora.

Só os big-shots, que vendem revistas só por terem seus nomes escritos nas capas  conseguem uma maior liberdade artística, e às vezes, uma maior fatia do bolo em possíveis adaptações. OMas se o escritor quer ganhar grana mesmo faz como o Mark Millar e sai publicando material independente de” laboratório”com intuito principal de que estes sejam adaptados pelo cinema.

Um dos exemplos de personagens do "Millarverse"que foi para o cinema.
Um dos exemplos de personagens do “Millarverse”que foi para o cinema.

E nós leitores e entusiastas seguimos só observando essa espécie de ” eteno segredo de Tostines” do mercado de quadrinhos: “Os artistas criam e a editora lucra”ou “as editoras lucrando abre mais vagas para os artistas criarem”?

E torcendo para que no meio disso tudo saiam boas histórias.

 

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