Cinefókin: “O Homem de Aço”

Consegui dar uma escapadinha da ‘Clínica de Reabilitação Para Leitores de Youngblood” no sábado para assistir pela segunda vez ao filme deceneta mais esperado do ano.

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Sim, segunda! Não primeira não arrisquei escrever um review por conta de ter assistido em um cinema alternativo no Bronx onde o som e a imagem estavam em qualidade de Div-Cam péssimas.

Agora que vi a versão dos “puros de coração” posso finalmente dar meu pitaco  sobre o filme e nas acaloradas discussões sobre “Superman mostrado no filme” versus “Superman dos quadrinhos”

Bom, vamos lá: confesso que o filme me surpreendeu positivamente, principalmente por conseguir sucesso no que se propôs: revitalizar o maior super-heróis de todos nas telonas de maneira competente para o atual audiência.  O desafio era grande, pois todo o futuro cinematográfico da DC Comics estava em jogo e o fracasso de bilheteria de “Superman: O Retorno” e “Lanterna Verde” eram bastante recentes.

E o resultado veio: o filme já é um sucesso comercial, mesmo antes de estrear no mundo todo, garantindo uma seqüência e fornecendo combustível de sobra para o filme da Liga. Mas para ter esse êxito Snyder e cia. fizeram duas concessões discutíveis: não deram espaço algum para nostalgia e não arriscaram nada para que o filme pudesse ser uma evolução nesse recém-criado gênero de “filmes de super-heróis”.

Aviso: Daqui para baixo, apagou a luz, ninguém é de ninguém! Cola a bunda na parede ou vaza que vem um monte de spoilers!

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“Homem de Aço” acerta no tom ao tentar nos passar como realmente seria a reação mundial ao surgimento de um ser super-poderoso no planeta, pontuando que ele não surge propriamente do nada, já que  mesmo antes do herói se revelar os feitos de um ser altruísta e com poderes sobre humanos já existiam por aí, apesar de  tratados como uma espécie de lenda urbana.

Achei essa abordagem bem interessante, ainda mais por ela ter servido como a  trilha que Lois Lane segue para descobrir que seu misterioso salvador é apenas um filho de fazendeiros chamado Clark Kent, muito antes dele se tornar o Superman no filme.Isso mudou muito a dinâmica na relação entre ambos personagens e nos deu uma Lois mais interessante sem precisar de um longo desenvolvimento da personagem.

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A personalidade de Clark/Kal-El adotada também é bem diferente da tradicional, ele é retratado como um pária que desde pequeno  tem que viver se contendo para que sua natureza não seja revelada ao mundo. Da primeira parte, os dois grandes momentos do filmes são os flashbacks que Clark conversa com seu pai adotivo Jonathan Kent (interpretado muito bem pelo ator Kevin Costner) com relação ao preço a ser pago para esse segredo ser mantido.

É do meio do filme em diante com a chegada de Zod (em excelente interpretação de Michael Shannon) à Terra, que os aspectos emocionais deixam de ficar em primeiro plano em troca do que talvez sejam as cenas  de combate entre seres super-poderosos mais bem feitas até hoje,mesmo elas causando alguma celeuma por conta da escala de destruição causada à volta dela.

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E é aqui que entro (ui) na parte polêmica e volto as tais concessões do início do texto: Snyder não tem a menor preguiça de mostrar quanto os kryptonianos são poderosos e consegue nos passar essa idéia muito bem, mas a  falta de empenho do Superman de pelo menos tentar em minimizar a destruição e o fim da batalha em que o herói mata o General Zod  desencadeou uma série de protesto de críticos e fãs de que o protagonista ” não é o Superman que conhecemos nos quadrinhos”.

E não, não é mesmo! Mas mesmo o atual Superman dos quadrinhos (pós reboot) não é o Superman que eu conhecia nos quadrinhos. E o juvenil que só começou a ler o herói nos novos 52 não vai também não vai reconhecer o “seu Superman” ao ler algo da Era de Prata ou  assistir hoje os filmes do Superman de Richard Donner lançados no final dos anos 70. Acho que a idéia toda tem mais a ver com o que é mais familiar a uma geração do que a outra, e quer nós,  nerds velhos, gostemos ou não o Superman de “O Homem de Aço”dialoga com essa geração e com os dias atuais. Portanto acho melhor encará-lo como uma “versão alternativa” do heróis que você conhece dos  quadrinhos ou em outros filmes do que ser só saudosista e  ficar esperneando e desmerecendo o filme.

Tá, talvez só um pouquinho:

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Sei que os mais radicais dirão que independente da versão,alguns dos valores caros ao Superman são simplesmente ignorados no filme, mas essa foi a escolha tomada dentro do universo criado  e eu acho que funcionou. Mas concordo  que foi aí que faltou um pouco  de ousadia dos realizadores do filme, que poderiam ter se arriscado mais tentando balancear a pegada realista/massavéio do filme com os aspectos icônicos abordados nas melhores histórias do personagem nos quadrinhos e presente nos filmes clássico. Isso poderia ter feito o filme alcançar um padrão de qualidade mais alto do que outros filmes do gênero.

Mas isso pode ser explorado na VINDOURA seqüência, afinal o objetivo principal foi atingido “O Homem de Aço”: ser um bom filme que conseguiu validar a volta do Azulão aos cinemas.

 

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3 comentários em “Cinefókin: “O Homem de Aço””

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