Breaking Bad: “Intragabilizando” Uma Série Em Minutos De Leitura

O bom senso adverte: O texto abaixo pode conter spoilers referentes aos acontecimentos até o penúltimo episódio. Então se por acaso você não é daqueles que está apenas à espera do episódio do próximo domingo, siga por conto e risco:

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Lift-off!!!!

Estávamos eu e meu cunhado ontem no Pacaembu, vendo um jogo. Noite fria, com garoa. Aliás, um frio do caralho, time jogando mal pra cacete, como de costume. E um cidadão barrigudo, de boné da torcida e óculos, com cara daqueles idiotas de desenhos nerds, duas fileiras abaixo, insistia em berrar insultos à todos os jogadores de nosso time que tocavam na bola. Depois de ficar o jogo inteiro irritado, ouvindo o cara cagar pela boca o tempo todo, nosso time quase faz um gol e segundos antes do momento crucial, eu e algumas pessoas soltamos um grito extravasado de Gol, diante da escassa possibilidade do mesmo acontecer, ao que o sujeito com bafo de merda solta um “Não grita Gol antes, caralho!”

“Não grita gol antes, caralho?!!!” Por quê? Isso vai mudar alguma coisa? Odeio ouvir essa frase. E também odeio aquele cara! Mesmo sem conhecê-lo! Na verdade, cheguei por dois segundos a imaginar um balaço estourando aquela cabeça (estou assistindo demais a série…) Enfim… não chego ao ponto de odiar, mas também não gosto muito de ter de policiar o que digo ou escrevo. Coloquei a mensagem de spoiler acima, não porque vá soltar algum aqui, mas sim porque quero escrever sem me preocupar se o que digo é spoiler ou não… Capiche? Agora, minutos após assistir à Granite State, penúltimo episódio de Breaking Bad, apenas ouvindo o som da geladeira e com uma (atualizando… 2,3…) longneck(s) de Heineken do lado, vamos deixar de papo furado e ao melhor estilo abertura de BB, parar com a enrolação e falar do que realmente interessa:

Após terminar de escrever o post, voltei pra dizer que sim! O texto abaixo é trocentos por cento spoiler! Não esqueça: Você foi avisado!

Em Lost, J.J. Abrams mostrou maestria em deixar fãs ávidos pelo próximo episódio. Hoje, ainda encontramos fanáticos por The Walking Dead ou Game Of Thrones. Mas, a grande verdade é que os roteiristas e produtores aparentemente descobriram a fórmula para sucessos, seja ela qual for. O problema é que geralmente essas novas séries tem uma primeira temporada excelente e depois vão decaindo, muito devido a enrolação. Os fãs, sedentos por um episódio genial, bolam teorias muitas vezes melhores que as estórias originais e acabam se dividindo entre os que passam a acompanhar a série e defendê-la e os que a acompanham e a criticam. Para os que recebem a grana, tanto faz a opinião dos fãs, desde que eles continuem a dar audiência. 

Até uma semana atrás, conhecia Breaking Bad apenas pelos comentários de amigos. De férias e sem muitas opções, resolvi imaginar a série como um livro. Você, caro leitor, de férias com tempo disponível, poderia muito bem pegar um livro e passar alguns dias lendo-o. Pois foi exatamente isso que fiz com a série. Por 5 dias assisti às 5 temporadas, sem ter aqueles sobressaltos de “Putz, só semana que vem..” ou “Meu, que final de temporada… Como vou ficar meses sem saber o que vai acontecer?…” Isso, acrescentado ao fato de que a maratona não me deu tempo de entrar em sites para discutir o que poderia ou não acontecer a seguir, me deu uma certeza: por melhor que o roteiro seja, o que faz os fãs ficarem empolvorosos é a espera… a espera é foda! Ela é o fósforo que acende a discussão, e a discussão é o que faz o sucesso! Por isso, “PAUmas” aos estúdios e seus produtores!

“Clap!”.

O grande trunfo da série ao meu ver, é a verossimidade da transformação de cada personagem. Não existe um Super Homem! Tão pouco um Rambo! O que existe, como em Cidade de Deus, são pessoas que estão MOMENTANEAMENTE no poder. Voltando à LOST, o que muitos reclamavam é o que gostei: tirando a enrolação, com o tempo descobrimos que aqueles caras “fodões” eram na verdade pessoas normais, que ganhavam autoridade com a falsa percepção que os outros tinham deles, aliada à uma boa dose de sorte… Isso lembra alguém? Duas letras: W.W.

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Meu xará, que até 120 horas atrás, apresentou-se pra mim,  como um professor que engole sapo de aluno playboyzinho mimado, agora, 5 temporadas depois, continua tendo alguns vacilos do velho White, mas ganha status de fodão da série, devido a reputação que os outros lhe deram, acrescentada à sorte, extrema inteligência (nisso Hank estava 200% correto) e ajuda do pobre e infelizmente para ele, por tempo demais extremamente leal, Jesse.

Walter escandalosamente apertou o botão do foda-se! Teve muita sorte, mas também teve uma leitura brilhante dos acontecimentos! Derrubou  com isso Gus! Mas sempre teve como ponto fraco para seus planos, o apego à família. Por mais monstruoso que Heinsenberg seja, sua queda se deveu única e simplesmente à vontade de Walter ver sempre sua familia (o que inclui Hank e Pinkman) protegidos. O que me intriga quanto a Pinkman, é até onde vai a tal camaradagem? É fato que Walter o vê como pupilo, espécie de filho e mais provável substituto em caso de morte. As eternas brigas lembram-me a expressão “entre tapas e beijos”… Mas “Filha Da Puta Master” que é, Heinsenberg em nome dos negócios, acabou, destroçou o pobre Jesse, deixando-me sempre em dúvida se realmente ele se importava com o sócio, ou se apenas queria manipulá-lo para conseguir seus objetivos. Acredito que tivemos 99% do tempo de manipulações, mas o 1% de camaradagem, foi essencial para a queda de seu império.

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Jesse Pinkman é disparado o mais carismático dentre os vilões de BB. Em dado momento, ele afirma aceitar quem é: Mr. White… I’m the bad guy!” Bad guy? Tenho pra mim, que se Skyler assistisse a série, ao invés de pedir ao marido que apagasse Pinkman, apontaria uma arma na cabeça de White e estouraria seus miolos! Jesse não passa de um garoto drogado, que teve azar de ter naquele que considera como melhor amigo, um cara que o usou como filtro para todas as merdas que poderiam acontecer aos dois. Mas, Jesse é ao mesmo tempo capaz de agradar aos casca-grossas que o odiavam, Gus e Mike! E isso causava no vaidoso Walter, um ciúmes digno de Othelo.

O que dizer de Hank? A relação dele com Walter lembra muito a minha com meu cunhado. Sujeito boa praça mesmo, digno de ser considerado da família. Tenho pra mim que Walt queria realmente se entregar, ao invés de ver Hank em apuros. Mas assistindo a série, sem conversar com ninguém, ao ver Walt ligando para Jack ainda no episódio To’hajiilee, tive a impressão de que a merda seria inevitável. “Se humilhar pra quê? Ele já se decidiu há 10 minutos atrás Walt!” Com isso, o tão comentado episódio Ozymandias pra mim não foi tão fodástico quanto o povo achou, porque todo mundo tem uma teoria do que vai acontecer, e nesse caso especifico, aconteceu exatamente o que eu já achava que ia acontecer. Mas, parabéns aos roteiristas, que tiveram culhões!

Mike e Saul também mereciam comentários, mas o post está demasiadamente comprido.

Finalizando, ainda sem ver ao episódio final, acredito que todos os protagonistas vão sair perdedores da série. A questão é quem ficará com as migalhas?

Valter Carvalho, vulgo Intragável, diretamente do Uatafókin News…

P.S.: Walter White, careca de cuecas e avental? Isso lembra alguém por acaso? rs

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