Pequenos Tesouros Que Não Valem Nada: Crises nas Infinitas Terras 1989

Essa sessão ia chamar Punhetação Nerd, mas achei o nome muito forte. Poderia atrapalhar nossa futura venda para a Disney. A idéia é mostrar alguns itens de coleção, que apesar do grande valor emocional e história pessoal atrelada, não valem porra nenhuma na realidade.

Para começar, a primeira Crise das inúmeras que assolaram o universo DC nos último 23 anos, em sua primeira edição completa publicada aqui no Brasil pela Editora Abril em 1989

Digo isso porque a primeira vez que a saga apareceu por aqui alguns anos antes dessas três edições de “formatinhos encadernados”, ela foi  publicadas em partes nas revistas mensais da DC da época. Até aí tudo bem, o problema é que a cronologia daqui estava bem atrasada e por imposição da DC a Abril foi obrigada a lançar a max-série em tempo de coincidir com o aniversário de 50 anos da editora.

Me lembro que meu primeiro contato com os quadrinhos da editora foi uma edição de Superamigos, com uma história que o Batman saía da Liga da Justiça e fundava os Renegados e outra do Lanterna verde John Stewart que fazia parte do comecinho de Crises. O que foi um pusta choque para mim afinal eu tinha uns 7 anos na época e tudo que eu conhecia da DC era Superamigos o desenho da Tv que era totalmente pueril e na revista do mesmo nome encontro o Batman saindo da Liga por discordar do  não envolvimento dela em questões políticas, fundando um outro grupo mais casca grossa e um Lanterna Verde negão de black-power envolvido em uma tremenda balbúrdia cósmica.

Não preciso dizer que não entendi nada daquilo, mas as histórias e a sensação de estar me deparando com um mundo muito mais complexo ficaram. Com uns nove, dez anos passei a acompanhar algumas revistas DC  que estavam justamente começando a fase pós-Crises aqui e foi mais ou menos nessa época que a editora Abril, para refrescar a memória dos leitores antigos,  resolveu publicar a saga completa em 3 edições, com menos cortes do que na primeira publicação. (Digo menos, pois a Abril sempre cortava alguma coisa para fazer caber as histórias dentro do formatinho).

Comprei, achava os desenhos do George Perez sensacional, o texto do Marv Wolfman fantástico…, mas continuava sem entender porra nenhuma! Crises foi a primeira tentativa da DC para reorganizar seu universo e trazer heróis (como Capitão Marvel, Besouro Azul, Combatentes da Liberdade, etc…) que ela havia comprado os direitos à cronologia da editora. Mas ao contrário das outras tentativas Crises optou por um caminho mais complexo, que foi trazer TODOS os personagens da editora para a história e utilizar um argumento envolvendo uma série de realidades diferentes. O lance das Terras paralelas, aquele monte de heróis que eu nunca tinha ouvido falar, O Flash se desfazendo durante partes da história, viagens no tempo…, tudo isso era muita coisa ainda para mim na época. Não tinha nem a bagagem nerd nem quadrinística para decifrar aquilo.

Por isso, mesmo tendo se passado tantos anos, com certeza essas foram as três revistas em quadrinhos que eu mais li e reli na minha vida. Muitas vezes ia dormir relendo uma delas, pegava no sono e ao acordar, continuava do ponto em que tinha parado. Precisava entender aquele negócio, sentia que se não conseguisse não poderia seguir as outras revistas. Parece ridículo hoje que todo ano tem uma hiper-mega-super-saga que vai mudar tudo, mas naquela época, e aqui no Brasil sem quase nenhuma informação do que era o mercado, parecia realmente que era uma chance única de ver um acontecimento daquele.

Capa desenhada pelo brasileiro Watson Portela exclusiva para edição nacional

Com o tempo, conforme ia lendo outros títulos e chafurdando ainda mais no vício, tudo passou a fazer  sentido, mas mesmo assim durante muito tempo sempre deixei essas três edições em um lugar à mão, para sempre dar uma olhadinha e usá-las como referência. E permanecessem assim até hoje, para me lembrar do tempo que tudo aquilo era novidade a ponto de eu ler e reler a mesma história centenas de vezes. Ao contrário de hoje em dia que em muitas das revistas mensais que eu compro eu só dou aquela passadinha de olho e jogo na pilha.

5 respostas em “Pequenos Tesouros Que Não Valem Nada: Crises nas Infinitas Terras 1989

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